sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tudo de novo...

Ai ai...
Estou sofrendo de novo...
Adaptação da Laura na escola... vou voltar a trabalhar...
Ontem foi seu primeiro dia... até que foi bem... ela não chorou, brincou, comeu...
Confesso que fiquei até um pouquinho chateada, porque achei que ela ía se matar de chorar, de sentir minha falta... que nada... só chorou na hora da fome...
Mas hoje as coisas já não eram a mesma novidade de ontem... então o choro, meu velho conhecido, apareceu...
Como é difícil saber o que fazer nessa hora... devo ir lá socorrê-la? (afinal ela pode pensar que eu a abandonei), devo deixar chorar? (afinal ela vai ter que acostumar)
Como mãe não pensa com a cabeça, mas com o coração, não aguentei o choro e fui socorrê-la...
Sinceramente minha vontade é de largar prá lá o emprego, só para não vê-la sofrer... mas sei que será bom para ela ir para a escola, foi para a Gi...
É que essa fase é muito difícil... Por que a gente tem que sentir tanta culpa? Por que mãe não é como pai, que vai trabalhar desde que o filho tem dias e não sente culpa nenhuma em deixá-lo? Será que essa culpa está no DNA de mãe?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O relógio do tempo não para...

Esse final de semana foi a festa de aniversário da Gigi... 3 ANOS!!!
Estava olhando para a minha pequena, que já escolheu, ela mesma, o tema da sua festa - Moranguinho - que já escolhe as roupas que vai usar, que já come sozinha, já vai no banheiro sozinha, quer andar sem dar a mão, já fala as palavras corretamente, já sabe o abecedário, os números até 50, algumas palavras em inglês...
Está crescendo... é o natural... não temos o que fazer...
E vai dando uma sensação ao mesmo tempo de dever cumprido e de saudade... saudade do tempo que ela precisava do nosso apoio para caminhar, ainda usava fraldas, falava tudo de uma forma deliciosamente errada...
E esse sentimento se aflorou de uma forma muito mais intensa em mim depois da festa.. porque vi uma prima minha - Mônica, é você - às voltas com suas duas filhas já adolescentes... e lembrei de quando as duas nasceram, de quando eram pequenas, das brincadeiras que fazíamos, das horas que elas ficavam mexendo nos meus cabelos... nossa... foi ontem... e agora estão aí... namorando e cuidando das minhas filhas...
Deu um medo... Medo de não estar presente o tempo suficiente ao lado das minhas filhas, de não curtir as suas infâncias ao máximo, de perder coisas da vida delas...
A Gi já tá com 3 anos, a Laura com 9 meses... será que eu fiz tudo o que poderia ter sido feito? será que falhei em alguma coisa?
Espero chegar na adolescência das minhas filhas e olhar para trás sem esse medo de ter perdido elas...
Filhas, amo vocês!!!

domingo, 29 de agosto de 2010

Crescer dói

Quando nossos filhos nascem, infelizmente, não recebemos o "Manual da mãe/pai". Então temos que aprender... E o fazemos com exemplos de amigos/familiares, com o que lemos na internet/revistas/livros, com as orientações do pediatra, os 'pitacos' das avós, e o meio mais importante e comum: na "raça", no dia-a-dia, vivenciando as situações - o "vivendo e aprendendo".
Mas não é sobre isso que quero falar...
Então por que iniciei assim?
É que fui levada por essas coisas que a gente lê e ouve...

"mamadeira muito tempo faz mal pros dentes, devemos tirá-la o quanto antes"

Acreditando nisso, resolvi que 3 anos seria a idade limite para que a Gigi fizesse uso da sua tão querida "dêdê".
Mas como tirar delicadamente, sem causar traumas?
Resolvi inventar uma estória bonitinha e legal (a meu ver): quando a criança faz 3 anos, vira mocinha, então a Fada Mocinha vem e tráz um copo com canudo (o dela é todo rosa com a Minnie) e leva a dêdê para "a menina que não tem dêdê"... parecia o plano perfeito....
Ontem, dia do seu aniversário, antes dela acordar, coloquei o copo na cama dela e quando ela acordou, achou-o.... ficou feliz da vida... tomou água e suco o dia todo no copo... legal, estava dando certo... no meio da tarde levamos a dêdê para o quintal para que a fadinha pudesse levá-la embora, ela se despediu, deu um beijinho... tudo certo...
Chegada a hora de dormir, eu esperava um pouco de manha pela falta da dêdê, mas não contava que ela não ía querer de jeito nenhum tomar o leite no copo... ficou pedindo a dêdê com uma cara de coitadinha, um jeitinho de cortar o coração... não cedi...
Hoje de manhã, nova recusa pelo leite no copo... e a cara de coitadinha piorou... mas tomou água e suco normalmente no copo...
Nova tentativa a noite... nada feito... a cara de coitadinha triplicou... sei o quanto ela estava sentindo falta do leitinho na dêdê, o quanto isso estava "doendo" dentro dela... mas eu não podia simplesmente surgir com a mamadeira... afinal a fadinha tinha levado embora...
Não aguentei, peguei outra mamadeira e dei para ela...
Acho que ela ainda não está pronta para esse passo no crescimento... quando doer menos, tentamos de novo...

sábado, 3 de julho de 2010

Despedida

Estou em clima de despedida... na contagem regressiva...
É que meu leite está secando...
Toda mamada que consigo dar para a Laurinha eu curto até a última gota, porque sempre acho que pode ser a última...
Amamentar para mim sempre foi um ato de muito prazer... é uma entrega de muito amor... nós, mães, precisamos nos doar muito, porque amamentar exige muito de nós, nos torna, de certa forma, prisioneiras do relógio biológico daquele pequeno ser ávido por nosso seio... mas mesmo assim, para mim, sempre foi um momento de muita paz, de muito amor... eu adorei olhar nos olhinhos das minhas duas filhas enquanto elas sugavam com força com suas pequenas linguinhas fazendo um vácuo no bico do meu peito, adorei segurá-las num abraço a cada mamada... aquele barulhinho de engolir ar de quem está aprendendo sua primeira lição... são lembranças que ficarão para sempre guardadas num lugarzinho muito especial dentro de mim...
Confesso que estou um pouco triste, apesar de saber que fiz o que pude para prolongar a amamentação...
Agora minha princesinha está experimentando novos sabores...

Está crescendo....

Abraços

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Antes que elas cresçam...

Achei esse texto lindo....


"Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
É que as crianças crescem.
Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença.
Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.
Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?
Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.
Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas.
E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.
Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.
Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô.
Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.
No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos.
Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto. Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam."
Affonso Romano de Sant'Anna